O LED está em todas
jan 14th
Tecnologia está na base do monitor mais fino do mundo, além de ser ecologicamente correta
Monitores ultrafinos devem reluzir nas prateleiras da Consumer Eletronics Show (CES), uma das mais significativas feiras tecnológicas do mundo, que vai de hoje a domingo, em Las Vegas. A estrela por trás da corrida pelo monitor mais fino do mundo se chama LED. A LG já anunciou uma tela de 42 polegadas, com apenas 2,6mm de espessura. A peça tem resolução de 1.080 pixels e pesa 3,6 kg. Mas a capacidade de gerar displays incrivelmente finos não é a única grande sacada dos diodos emissores de luzes.
É uma tecnologia que emite menos carbono, dispensa metais pesados como o mercúrio e o chumbo, utiliza componentes recicláveis e consome menos energia. Se sustentabilidade deve se firmar como palavra de ordem a partir da década que começa, os LEDs têm tudo para, como dizem alguns, nadar de braçada. Os pequenos LEDs já apresentam usos diversificados e sua adoção em larga escala, garantem os defensores, pode demorar menos do que supomos.
Vale um passeio em qualquer loja de eletrônicos. É bem provável que a nitidez e contraste das TVs de LED chamem sua atenção imediatamente. Isso para não falar da espessura assustadoramente fina dos aparelhos. E aí é bom estar atento. Por enquanto, duas desenvolvedoras já colocaram produtos do tipo nas prateleiras – a Samsung e a LG.
Na prática, o contraste fenomenal dos novos aparelhos é possível porque eles funcionam como uma TV de plasma (conhecidas por aquela qualidade), porém utilizam uma tela de cristal líquido. Acontece que as TVs de LCD trabalham com uma única fonte luminosa – por isso o preto absoluto é tão difícil de conseguir. Em contrapartida, os aparelhos de plasma têm fontes individuais de iluminação, microcélulas que reagem aos estímulos elétricos. Nas LED TVS, também chamadas de LCD de LED, o que há é o mesmo esquema do plasma, mas a iluminação é feita com LEDs, incidindo no cristal. Assim, tempo de resposta e contraste (o melhor de cada uma das tecnologias anteriores) coexistem apenas, por enquanto, nos novos aparelhos de LED.
Comentário político: Como vovó já dizia
jan 9th
por Pitfall*
“Pesquisa da organização não governamental Contas Abertas apontou que o Brasil gastou 10 vezes mais com reparos causados por desastres naturais do que com a prevenção. No ano passado, o governo federal teve custos de R$ 1,3 bilhão com o programa Resposta aos Desastres e Reconstrução e apenas R$ 138 milhões com o de Prevenção e Preparação para Desastres.”
Este é um trecho da matéria Brasil prefere remediar a prevenir desastres naturais, aponta pesquisa, veiculada hoje pela Agência Estado no portal Uai.com.br. Apesar de abordar a forma como os governos vem tratando os danos causados por desastres naturais, ela aponta também um dos maiores vícios existentes na política brasileira, o de tomar atitudes que mais remediam do que previnem. Não é raro serem apresentados projetos com soluções paliativas em lugar de trabalhos que realmente tragam uma “cura” para os problemas existentes no país.
Talvez o principal motivo para que isso aconteça seja mesmo a recompensa imediata que tais manobras implicam. Programas como o Bolsa Família, Prouni e Fies (estes são os mais populares, mas existem vários outros também nos âmbitos municipais e estaduais), geram votos no curto prazo, uma vez que sanam ou aliviam algumas dificuldades da população mais carente. Porém, a maioria dos projetos desse tipo, são atos sem grande poder de reverter a situação para uma mudança definitiva de cenário.
É preciso reconhecer que alguns programas são mesmo importantes e até necessários, já que não precisamos conviver com goteiras se no momento não há como refazer o telhado.
A cobrança por respostas urgentes, que muitas vezes vem do desespero de classes que há anos, ou talvez décadas, convivem com os mesmos problemas, de certa forma, também contribuem para tal atitude dos governos, que respondem com medidas “rápidas”, para mostrar atitude, e populares, para evitar uma insatisfação por parte dos eleitores.
Pois é, Raul. Os óculos escuros ainda prevalecem…
Outro motivo nem sempre comentado é o despreparo de alguns políticos para tratar dos assuntos inerentes ao cargo, além dos que se elegem para defender interesses pessoais e de minorias, ignorando o seu papel representativo. A falta de conhecimentos daquele que é escolhido pelo povo é fator crucial para que projetos “tapa-buraco” sejam criados e aprovados nas casas legislativas do país. São políticos com poder de voto e de palavra, mas sem a capacidade de análise e decisão necessária para discutir os projetos apresentados na mesa.
Não temos como contestar que o Brasil possui imensas demandas, muitas delas ligadas a questão social, e vem caminhando lentamente, até mesmo com o próprio desenvolvimento da população. As mudanças na forma de pensar política e valorizar o tratamento de problemas pela causa, não pelas consequências, ocorrerão, assim como os brasileiros passarão a entender que devem se cuidar antes de ficar doentes. A tendência é que, no longo prazo, as medidas remediadoras não desapareçam, mas percam sim espaço significativo para as de prevenção. Quem sabe já neste ano eleitoral elas estarão mais em pauta nas discussões políticas?
* Pitfall é colunista e autor de crônicas sobre humor e política
A história da equipe 100% brasileira – 2ª parte
dez 28th
por Leandro Castro*
Como vimos na minha última coluna, a história da Fittipaldi F1 começou de forma simples, apresentaram altos e baixos, contavam com um orçamento baixo, mas com um desempenho superior se compararmos com outras equipes da época.
Depois da boa temporada de 1978 os irmãos Emerson e Wilsinho Fittipaldi apresentaram à imprensa especializada seu mais novo projeto: o modelo F-6. O modelo custou 250 mil dólares e foi concebido e construído durante 8 meses em segredo absoluto . Quando foi apresentado, tornou-se o centro das atenções da mídia especializada. E o motivo de tanto barulho foi a participação de Ralph Bellamy, ex- projetista da Lotus e que havia participado da criação do famoso Lotus 78, o primeiro carro asa de sucesso da F1. Na teoria, o F-6 seria uma versão melhorada do Lotus 78. E o carro, pelo menos na teoria, era realmente brilhante.
F6 era um carro bonito mas com sério problema de projeto
Como podemos observar na foto, o carro apresentava linhas arrojadas, as suspensões eram descobertas, os espelhos retrovisores embutidos no cockpit e a carenagem cobrindo totalmente o motor e o câmbio. Um carro muito bonito que foi um verdadeiro fracasso.
Nos primeiros testes com o carro, foi verificado que havia alguma coisa errada. Com sérios problemas no projeto, o F6 retornou para a prancheta e a equipe foi obrigada a usar o modelo do ano anterior , totalmente defasado em relação aos projetos das outras equipes. O F-6 só retorna às pistas quatro meses depois, rebatizado de F-6A.
Mesmo passando pela revisão de projeto, o carro se mostrou muito ruim e a equipe não conseguiu repetir o mesmo rendimento da temporada passada. Anos depois, Wilsinho definiu o episódio com apenas uma frase: “O F-6 foi a nossa cruz”.
Cloud computing – Uma tendência para a computação
dez 26th
por Marcos Nonaka*
Em um artigo anterior falei um pouco do que seria a nova era computacional, mais precisamente sobre as evoluções que tivemos em termos de comportamento das fabricantes de softwares para computadores.
Essa nova era é bastante marcada pela influência do usuário. Está certo que este esteve sempre envolvido, mesmo que indiretamente, mas caminhamos para uma interdependência muito mais ampla com os desenvolvedores, através da popularização da internet de alto desempenho e da utilização de ferramentas e serviços online, Cloud computing.
A ideia sobre Cloud computing (computação em nuvens ou nuvem computacional) se baseia na relação entre um centro de dados, com acesso disponível em qualquer terminal ligado à internet, e o usuário. Em outras palavras, se trata de um serviço robusto onde pode-se usufruir de ferramentas online, sem a necessidade de baixar e instalar nada em seu computador. O conceito é “fazer” e armazenar tudo na própria Web.
Observe, que tanto o cliente quanto a rede tem acesso ao banco de dados (Créditos de imagem: HowStuffWorks)
Isso já é uma realidade, porém pouco conhecida do público comum, mesmo utilizando de jogos, aplicativos para escritório e até serviços de armazenamento virtual, tudo de forma online. E a ideia partiu justamente dessa grande oferta, e demanda, de serviços existentes hoje na internet.
Uma Cloud computing oferece uma gama de serviços em “um só lugar”, ou num único provedor. O Windows Live, da Microsoft, é um exemplo atual. Através de uma única conta, o usuário tem acesso as mais diversas ferramentas, como armazenamento de arquivos, Messenger, agenda, álbum de fotos, correio eletrônico e até um aplicativo para criar vídeos. Aparentemente serviços simples, porém, aplicativos mais aprimorados e com maior poder de utilização estão surgindo com investimentos nesse setor, também por parte de outras corporações.
O Google, maior empresa do mundo em valor de mercado, é uma das que já seguem essa tendência, inclusive no sistema operacional que está desenvolvendo. Em nossa análise feita sobre o anúncio oficial do Chrome OS, destacamos justamente o fato de ele ser baseado em Cloud computing. Isso fará com que os computadores, netbooks no caso, não necessitem de tanto hardware, mas em compensação ainda não se sabe qual será o custo para o usuário sobre a utilização da nuvem oferecida pelo Google.
A história da equipe 100% brasileira
dez 24th
por Leandro Castro*
O nome Fittipaldi é sinônimo de automobilismo e velocidade aqui no Brasil. Conhecidos e respeitados mundialmente pelo talento demonstrado dentro e fora das pistas, os irmão Emerson e Wilson Fittipaldi resolveram montar a sua própria equipe de F1, que ficou conhecida aqui no Brasil como Copersucar. Como sabemos, o povo brasileiro sempre padeceu com sua profunda falta de conhecimento e o que era para ser motivo de orgulho para o país, foi para muitos, motivo de piada durante o final dos anos 70 e início da década de 80. Portanto, nada mais justo do que tentar apagar os erros do passado e contar um pouco da história da única equipe totalmente brasileira que já participou da F1.

Como a história é bem conhecida e cheia de detalhes, resolvi apenas descrever os principais acontecimentos, os principais resultados obtido pela equipe e mostrar os carros produzidos pela Fittipaldi Automotive Ltd, seu nome de registro na FIA.
Nas oito temporadas que participou da F1, a Fittipaldi F1 acumulou 44 pontos em 104 GPs. Nenhuma vitória foi conquistada, é verdade, mas foram dezenove presenças nos pontos, numa época em que apenas os seis primeiros marcavam.
Só para efeito de comparação: a extinta equipe Jaguar, que pertencia a poderosa Ford, acumulou 49 pontos e dois pódios em 85 GPs. A grande diferença é que a Ford tinha dinheiro para gastar, e os irmãos Fittipaldi não tinham. Pelo menos na época.
Wilsinho e o primeiro carro da Fittipaldi F1, o FD01. Com o motor todo coberto, sua aerodinâmica desenvolvida no túnel de vento da Embraer chamou a atenção de Colin Chapman. Infelizmente, o projeto não vingou.
Retrospectiva política 2009
dez 23rd
E aí, pessoal. Nesse período em que Deputados, Senadores, Vereadores, enfim, nossos representantes entram em recesso, não há muito o que se falar sobre política, além do que já se discutia anteriormente. Então vamos relembrar alguns fatos que marcaram o ano de 2009 na política nacional.
Antecipação da discussão sobre as eleições presidenciais 2010
Primeiro a senadora Marina Silva trocou o PT pelo PV, apontando para ser candidata à Presidência da República. Em seguida, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) se assanha para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Rival de Serra no PSDB, o governador mineiro, Aécio Neves, desistiu de postular a indicação do partido para concorrer ao Palácio do Planalto em 2010. O anúncio foi feito no Palácio da Liberdade no dia 17 de dezembro. Apesar da desistência, Aécio deixa a porta aberta para integrar a vice numa chapa com José Serra, cargo sonhado pelo Democratas.
Ao mesmo tempo e com a ajuda de peemedebistas mineiros e paulistas, tenta entrar na base do partido cujo presidente licenciado, Michel Temer, é o mais cotado para ser candidato a vice na chapa de Dilma. Se a aliança PT-PMDB, arquitetada neste ano, se confirmar praticamente dobra o tempo de TV da petista em relação ao tucano no horário eleitoral gratuito.
Farra das passagens aéreas no Congresso
Dia após dia Câmara e Senado descobriam parlamentares que usavam passagens aéreas indiscriminadamente. Uns investiam os recursos no aluguel de jatinhos. Outros davam carona a parentes, amigos e amigos dos amigos para destinos no Brasil e no exterior. Havia também quem revendesse passagens de sua cota para fazer caixa. O resultado: perdão geral para os beneficiários da farra.
Cassações de mandatos na Justiça
Nunca antes na história democrática deste país tantos governadores perderam seus mandatos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusados de uso da máquina e de compra de votos, em apenas um ano.
Decisões desse tipo atingiram o tucano Cássio Cunha Lima, da Paraíba, o pedetista Jackson Lago, do Maranhão, e o peemedebista Marcelo Miranda, do Tocantins. O governador de Rondônia, Ivo Cassol (PR) também teve o mandato cassado, mas um pedido de vista do Supremo Tribunal Federal (STF) adiou a definição do caso.
Os governadores de Sergipe, Marcelo Déda (PT), e de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), ainda devem ser julgados.
Castelogate e notas frias
Este ano não é o primeiro em que surge um escândalo envolvendo notas frias no Congresso, mas nunca antes houve denúncia de que um parlamentar tivesse se valido desse expediente para montar um castelo nada medieval dentro do próprio país.
O deputado Edmar Moreira, então no DEM e corregedor da Câmara, admitiu em fevereiro ser dono de uma construção desse tipo em São João Nepomuceno, interior de Minas Gerais, avaliada em mais de R$ 20 milhões e não declarada no seu nome.
Desfragmentação – Otimizando os arquivos armazenados
dez 19th
por Marcos Nonaka*
No artigo anterior falamos um pouco sobre o processo de gravação de arquivos em clusters e do melhor aproveitamento do espaço em disco. Hoje falarei sobre como esses arquivos são requisitados pela máquina e como melhorar a leitura do HD.
Um computador segue basicamente três princípios no tratamento das informações: a leitura, o processamento e a gravação (confira um pouco sobre processamento aqui e sobre gravação aqui). Como dissemos anteriormente em outro artigo, para que haja o processamento de informações, uma requisição de dados é feita pelo núcleo. Ela acontece por meio de blocos, do disco rígido para a memória RAM, ou seja, um conjunto de instruções é enviado e não somente a informação solicitada. Muitas vezes, quando isso ocorre, a leitura é demorada, devido os arquivos necessários terem sido gravados no disco de forma desordenada.
Na tentativa do sistema de aproveitar o máximo de espaço disponível, “lacunas” de gravação são preenchidas no HD com outros arquivos, o que faz com que eles nem sempre sejam armazenados de forma contínua.
Obs.: “Lacunas” de gravação são espaços vazios, normalmente gerados quando se apaga um arquivo no disco.
A lentidão, dita anteriormente, é causada pelo deslocamento da cabeça leitora. Imagine um disco de vinil, onde metade de uma música foi gravada no início do disco e a outra metade no fim. Para que a música seja tocada completamente, é necessário que se mova a agulha (ou braço) do tocador até a outra parte. No HD isso ocorre automáticamente com os arquivos fragmentados (”repartidos” durante a gravação), mas causa um retardo, que poderia ser evitado ou reduzido, caso as informações necessárias estivessem próximas uma das outras.
Como interferir no processo de gravação do disco é algo dificultoso para o usuário, existem softwares que permitem organizar ou otimizar as informações armazenadas. São eles os desfragmentadores, cuja função é localizar arquivos segmentados e tentar reagrupá-los.
Praticamente, o que esses programas fazem é regravar os arquivos fragmentados em outros locais, para que as partes se unam, e os movem posteriormente para áreas contínuas do disco. Cada um utiliza uma lógica criada pelo seu desenvolvedor, e o mais conhecido dentre os softwares é o próprio “Desfragmentador de disco” que acompanha as versões Windows, mas existem outras boas opções como o Auslogics Disk Defrag, que também dá nome à empresa desenvolvedora e é gratuito.
Auslogics Disk Defrag em funcionamento
Carro Asa – O extremo da aerodinâmica na F1
dez 16th
por Leandro Castro*
No início da temporada deste ano a F1 nos apresentou carros totalmente diferentes daqueles que estávamos acostumados a assistir e admirar nos domingos de manhã. Por causa das novas regras impostas pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo), os carros deste ano foram os mais esquisitos das duas últimas décadas. Porém, por causa dessas mesmas regras, vimos uma equipe, que estava presente na rabeira do grid de 2008, trocar de dono e vencer o campeonato de construtores e de pilotos este ano.
Pecinha da discórdia: O tão comentado difusor da Brawn Gp, neste ano
Um dos principais motivos desta fantástica história foi uma peça que se encontra na parte inferior e atrás do carro, chamada difusor. Foi o polêmico e inovador difusor, que Ross Brawn adotou em seus carros, o grande diferencial no início da temporada. Uma história de inovação técnica, que nos mostra como é a evolução no mundo da Fórmula 1. Mas isso não é nada se compararmos com a revolução que a categoria obteve no final da década de 70.
Para melhor compreensão do feito, primeiro teremos que passar por uma pequena aula de aerodinâmica. A asa do avião é curva na face superior e plana ou com uma curva menos acentuada na inferior. Com isso, o fluxo de ar que passa por baixo da asa tem uma velocidade menor que o fluxo que passa por cima da asa (isso porque ambos devem chegar ao mesmo tempo no final da asa). Isso cria a força de sustentação que mantém o avião no ar. E o aerofólio de um F1 é justamente uma asa de avião ao contrário, forçando o carro contra o asfalto, gerando o chamado downforce.
Partindo desse raciocínio, alguns construtores pensaram em colocar as asas nas laterais dos carros, com o perfil invertido (plano em cima e curvado embaixo), invertendo a função e colando o carro ao chão. O March, de 1970, foi um exemplo clássico disso, mas o princípio não deu resultado.
March 701 em 1970: Já utilizava o conceito de Carro Asa
Perdoai os nossos “precados” e livrai-nos de nossas dívidas
dez 15th
por Pitfall*
A emenda aprovada pelo Senado alterou a forma de pagamento dos precatórios judiciais. (Créditos: Midiacon News)
Foi aprovada, na última semana, a famosa “PEC do calote” (Proposta de Emenda à Constituição), que prevê uma nova forma no pagamento dos precatórios, dívidas de estados e municípios com pessoas físicas e jurídicas. Juntamente, foi dado um alívio aos devedores através de leilões “inversos”, onde quem oferecer o melhor desconto recebe o dinheiro.
Daí o reconhecimento pela sociedade de favorecimento ao calote. Pois, quem não reduzir espontaneamente o valor a receber corre o risco de ter de brigar na justiça, e isso pode levar anos. Ou seja, quem sai prejudicado é sempre o credor.
É um retrocesso. A punição, que normalmente existe como meio de educar, ocorre ao contrário.
Em casos como esses, seria interessante contar com soluções mais eficazes ou que, de certa forma, restrinjam o endividamento dos governos. Talvez cortando o endividamento futuro ou limitando o montante, de forma gradual ao pagamento das obrigações anteriores. Seriam decisões simples e que poderiam beneficiar também o exemplo que vem de cima.
Novamente, a obtenção de vantagens a qualquer custo faz com que os pensadores percam espaço para os interesses. Pois, nesse cenário, parece que eles desaparecem ou nem mesmo existam. Ministros do Supremo (alguns de nossos magistrados, escolhidos pelo seu poder de decisão) já andam afirmando que não é possível o Estado quitar todas as suas dívidas de uma só vez, mas nada justifica tentar consertar um erro com outro. E viva para as medidas paliativas!
* Pitfall é colunista e autor de crônicas de humor e política
Entenda os precatórios e as mudanças na forma de pagamento** Continue lendo esta matéria »
Pré-Sal: Penso em você, penso em mim
dez 11th
por Pitfall*
Engraçado como alguns assuntos atuais sempre remetem à polêmicas passadas. A discussão sobre a destinação de verbas do Pré-sal brasileiro não passa de um conflito de interesses, entre União, estados produtores, cidades portuárias e os “não produtores”.
Conheça o Pré-sal brasileiro (Créditos: Petrobras)
Os produtores e portuários alegam que merecem receber mais, justamente por provirem a extração e exportação do petróleo. Já os não produtores argumentam que os recursos do Pré-sal são um bem comum de toda a nação e não somente das regiões “abençoadas” com a descoberta. Independente disso, a União tem sua parte garantida e só entra na briga para resguardar o tamanho de seu bolo.
Nisso, cabem também outros argumentos. O de direito adquirido, pelo primeiro grupo (quem trabalha tem que receber), o de igualdade de condições, pelo segundo (quem trabalha tem que receber, mas também compartilhar. E se der petróleo no Pantanal?) e o terceiro, que é a União (quem trabalha tem que receber, mas também compartilhar. E se der petróleo no Pantanal? Porém eu cuido de todo mundo).
Aí nós avaliamos as hipóteses.
Se quem produz recebe mais, poderemos ter grandes desigualdades no desenvolvimento entre os estados. Se o dinheiro fica com a União, as regiões perdem autonomia e continuam sob o risco de disparidades no desenvolvimento. Se a partilha for ponderada, o desenvolvimento poderá ser mais homogêneo em todo o território nacional (até mesmo porque igualzinho não dá, né gente).
Fica meio óbvio saber qual a melhor escolha, levando em conta o coletivo. Mas num país extremamente marcado por decisões individuais, quem pensa no outro é bobo. É tão bobo que, ainda no período Imperial, abriu mão de um direito adquirido e libertou os escravos (mas como são bonzinhos). Afinal, se não dermos oportunidades aos menos privilégiados, quem é que vai consumir a nossa cana-de-açúcar, borracha, café com leite, suco de laranja e petróleo? No jogo das espertezas, talvez o melhor mesmo seja ir pra Aruba (leia também).
;)
* Pitfall é colunista e autor de crônicas de humor e política









Marcos Nonaka
Pitfall Harry
Leandro Castro







